Doença de Addison em cães: o que é?

Sumário
Imagem com título “O que é a Doença de Addison em cães?” e cão sendo examinado por veterinário, destacando os cuidados com a Doença de Addison em cães.

Você sabe o que é a doença de Addison em cães

Essa é uma condição hormonal séria, que afeta as glândulas adrenais, responsáveis por produzir hormônios essenciais para o funcionamento do organismo. 

Quando essas glândulas falham, o cão desenvolve uma série de sintomas que podem colocar sua vida em risco se não houver diagnóstico e tratamento correto.

Neste artigo do Dr. Jorge – nefrologista veterinário em SP, você vai entender tudo sobre a doença de Addison em cães, desde as causas até o tratamento e os cuidados no dia a dia.

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Resumo do conteúdo:

  • A doença de Addison em cães é uma insuficiência adrenal, que ocorre quando as glândulas não produzem hormônios vitais como cortisol e aldosterona.
  • Pode ter origem autoimune, genética ou ser causada por tumores, traumas ou uso incorreto de medicamentos.
  • Os principais sintomas são fraqueza, vômito, diarreia, perda de peso e, nos casos graves, colapso e risco de morte.
  • O tratamento é feito com reposição hormonal para o resto da vida, permitindo que o cão tenha uma vida normal e saudável.
  • O manejo inclui cuidados com medicação, acompanhamento veterinário e atenção especial em situações de estresse.

Veterinário examinando cão de pequeno porte com estetoscópio, procedimento frequente no acompanhamento da Doença de Addison em cães.
Doença de Addison em cães: o que é?

Doença de Addison em cães: o que é?

A doença de Addison em cães é uma condição endocrinológica, relativamente rara, mas bastante séria. 

Ela acontece quando as glândulas adrenais, localizadas próximas aos rins, deixam de produzir hormônios essenciais para o equilíbrio do organismo, principalmente o cortisol e a aldosterona.

Esses hormônios são fundamentais para a regulação do metabolismo, da pressão arterial, do equilíbrio de eletrólitos e da resposta ao estresse. 

Quando há deficiência desses hormônios, o organismo do cão entra em colapso metabólico, podendo levar a situações de emergência se não for tratada.

Na maioria dos casos, a doença de Addison em cães é de origem autoimune. 

Isso significa que o próprio sistema imunológico do animal ataca as glândulas adrenais, destruindo seu tecido funcional.

A doença de Addison em cães pode ser genética, pois existe uma predisposição genética em algumas raças, como:

  • Poodle
  • West Highland White Terrier
  • Bearded Collie
  • Labrador Retriever
  • Rottweiler

Coleta de sangue em cão durante atendimento veterinário, etapa essencial para confirmar a Doença de Addison em cães por meio de exames laboratoriais.
A doença de Addison em cães é uma insuficiência adrenal.

Embora a genética tenha influência, cães de qualquer raça ou sem raça definida podem desenvolver a doença de Addison em cães.

Além do fator autoimune e genético, outras situações podem levar ao desenvolvimento da doença:

  • Uso prolongado de corticosteróides, seguido de interrupção brusca
  • Tumores que afetam as glândulas adrenais
  • Infecções graves nas adrenais
  • Lesões traumáticas na região

Em qualquer uma dessas situações, o resultado é o mesmo: insuficiência na produção dos hormônios essenciais.

Leia mais: Afinal, quantos rins tem um cachorro? 

Tratamento da doença de Addison em cães

O tratamento da doença de Addison em cães é feito com a reposição hormonal. 

Não se trata de uma cura definitiva, mas sim de um controle que permite ao cão viver com qualidade.

Com o acompanhamento correto, o animal leva uma vida normal, brinca, se alimenta bem e mantém sua rotina sem grandes limitações.

O cão precisará tomar medicamentos para o resto da vida, que substituem os hormônios que as glândulas adrenais não produzem mais.

O tratamento exige consultas periódicas e exames de sangue para ajuste das doses. 

Isso porque o organismo pode mudar suas necessidades hormonais ao longo do tempo, especialmente em situações de estresse, cirurgias ou doenças associadas.

Sem o tratamento adequado, o cão pode desenvolver uma crise addisoniana, que é uma emergência médica. Ela provoca sintomas como:

  • Fraqueza extrema
  • Vômito e diarreia
  • Desidratação severa
  • Queda de pressão
  • Colapso e até risco de morte

Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento correto são determinantes para a vida do animal.

Veja também: Doença renal crônica em cães: sintomas, causas e tratamento

Sinais, diagnóstico e cuidados no dia a dia

A doença de Addison em cães é conhecida por ser uma doença silenciosa, que muitas vezes se desenvolve de forma discreta, confundindo tutores e até mesmo alguns profissionais. 

Por isso, entender os sinais, saber como é feito o diagnóstico e conhecer os cuidados necessários no dia a dia é fundamental para garantir que o cão tenha uma vida longa e saudável.

Abaixo, você vai entender quais são os sintomas mais comuns, como o veterinário chega ao diagnóstico da doença de Addison em cães e, principalmente, como deve ser o manejo diário de um animal que convive com essa condição.

Leia também: Sintomas de ureia alta em cães: conheça! 

Sintomas da doença de Addison em cães

Os sintomas da doença de Addison em cães costumam ser bastante inespecíficos, o que faz com que ela seja conhecida como uma “doença que imita outras”. 

Isso porque os sinais podem variar de leves a graves e surgem de forma intermitente, confundindo com quadros gastrointestinais simples ou até problemas comportamentais.

Entre os principais sinais estão:

  • Fraqueza constante, que piora após brincadeiras ou passeios.
  • Apatia e desânimo, sem motivo aparente.
  • Vômito e diarreia recorrentes, que não melhoram com tratamentos simples.
  • Perda de apetite, levando à perda de peso progressiva.
  • Tremores e sensibilidade ao frio.
  • Desidratação, mesmo com ingestão de água.
  • Queda na pressão arterial, que pode levar ao colapso.

Muitos tutores relatam que o cão parece melhorar por alguns dias, mas depois volta a apresentar os sintomas. 

Esse ciclo acontece porque o corpo tenta se adaptar à falta dos hormônios, mas não consegue manter esse equilíbrio por muito tempo.

Como é feito o diagnóstico da doença de Addison em cães

O diagnóstico da doença de Addison em cães exige atenção e uma boa investigação clínica. 

O veterinário geralmente começa com uma análise detalhada do histórico do animal, observando a frequência e o padrão dos sintomas.

Os exames laboratoriais são essenciais. Um dos achados mais característicos é o desequilíbrio dos eletrólitos, especialmente uma proporção anormal entre sódio e potássio. 

O potássio costuma estar elevado, enquanto o sódio fica abaixo do normal.

Além disso, outros exames podem apontar:

  • Anemia leve
  • Hipoglicemia (queda de glicose no sangue)
  • Aumento de ureia e creatinina, simulando um quadro de insuficiência renal

Para confirmar o diagnóstico, o teste mais indicado é o teste de estimulação com ACTH, onde se avalia a capacidade das glândulas adrenais de produzir cortisol após serem estimuladas. 

Na doença de Addison em cães, a resposta é ausente ou muito baixa, confirmando a insuficiência adrenal.

Cão sendo examinado por veterinário com apoio do tutor, ilustrando a importância do diagnóstico precoce da Doença de Addison em cães.
O tratamento da doença de Addison em cães é feito com a reposição hormonal.

Cuidados no dia a dia com um cão que tem Addison

Conviver com a doença de Addison em cães exige alguns ajustes na rotina, mas, após estabilizado, o animal leva uma vida praticamente normal.

O cuidado mais importante é o rigor com a medicação. A reposição hormonal deve ser feita todos os dias, conforme orientação do veterinário. 

A interrupção, mesmo que por poucos dias, pode gerar uma crise addisoniana, que coloca a vida do pet em risco.

Além disso, é fundamental:

  • Oferecer uma alimentação de qualidade, que ajude no equilíbrio do organismo
  • Evitar situações de estresse intenso, como viagens longas, mudanças ou barulhos excessivos
  • Garantir hidratação constante, já que a doença afeta o controle dos eletrólitos
  • Manter consultas veterinárias periódicas, geralmente a cada 3 ou 4 meses, para acompanhar os exames e ajustar doses dos medicamentos quando necessário.

Cuidados em situações de estresse

Um dos pontos mais delicados no manejo da doença de Addison em cães é lidar com situações que geram estresse. 

Sempre que o cão for passar por uma situação fora da rotina, como cirurgias, hospedagens, idas ao pet shop ou viagens, o veterinário deve ser consultado.

Cão deitado em maca sendo avaliado por dois veterinários, situação comum em crises agudas causadas pela Doença de Addison em cães.
Os principais sintomas são fraqueza, vômito, diarreia e perda de peso.

Nesses casos, geralmente é necessário aumentar a dose do corticoide, porque o organismo de um cão com Addison não consegue produzir cortisol extra, que é o hormônio do estresse. 

Sem esse ajuste, o animal pode entrar em crise, apresentando vômitos, apatia intensa e até colapso.

Expectativa e qualidade de vida

Apesar de não ter cura, a doença de Addison em cães permite que o animal tenha uma vida longa e com excelente qualidade, desde que o tratamento seja seguido corretamente. 

A maioria dos cães responde muito bem à reposição hormonal e volta a ter uma vida ativa, brincando, passeando e convivendo normalmente com a família.

O segredo está no comprometimento do tutor.

Ao entender a doença, seguir as orientações médicas e estar atento aos sinais do pet, é possível proporcionar bem-estar, saúde e muitos anos de felicidade ao lado do cão.

Cuide do seu dog!

Veja algumas especialidades do Dr. Jorge:

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Foto de Dr. Jorge Conti
Dr. Jorge Conti

Com uma trajetória sólida e destacada na medicina veterinária, o Dr. Jorge P. Conti é uma referência nacional em nefrologia e urologia veterinária. Formado em Medicina Veterinária pela UNISA em 2006, construiu sua carreira com dedicação à excelência clínica e ao desenvolvimento acadêmico da área.

Dr. Conti possui especialização em Clínica de Pequenos Animais pela FMVZ-USP (2007-2008) e completou uma residência em Clínica Médica pela UNESP Botucatu (2008-2010). Em 2015, especializou-se em Nefrologia e Urologia pela Anclivepa-SP, consolidando sua expertise na área.

Autor do livro "Doença Renal Crônica", desenvolvido em parceria com o PetCare e a Premier Pet, Dr. Jorge é um contribuidor ativo no campo acadêmico e clínico. Sua atuação inclui palestras em congressos nacionais e internacionais, onde compartilha conhecimento e inovações na área de nefrologia e urologia veterinária.